Entrevista
TALL, PIET

Tall, Piet foi criado por Eduardo Tallia e Duda di Pietro, em 2022.  O estúdio reúne um grupo de talentos espalhado por todo o mundo que trabalha com marcas, pessoas ou iniciativas que estão remodelando o futuro. Em novembro de 2022, a dupla ministra o curso Identidade visual: desmistificando o processo criativo, aqui no Espaço.CC.

por Manoela Cezar
28 de Março de 2022

#design #entrevista #estúdio

Entrevista
TALL, PIET

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por Manoela Cezar


28 de Março de 2022

#design #entrevista #estúdio

Tall, Piet foi criado por Eduardo Tallia e Duda di Pietro, em 2022.  O estúdio reúne um grupo de talentos espalhado por todo o mundo que trabalha com marcas, pessoas ou iniciativas que estão remodelando o futuro. Em novembro de 2022, a dupla ministra o curso Identidade visual: desmistificando o processo criativo, aqui no Espaço.CC.

Como vocês descreveriam o processo criativo de vocês?

E.T: (1) Diálogo, (2) compreensão das nossas vulnerabilidades e (3) intenção.

Acho que o diálogo é um ponto fundamental na elaboração de um trabalho. O trabalho é uma construção e a construção é resultado do diálogo.

Compreender nossas vulnerabilidades é aceitar o erro da mesma forma que aceitamos o acerto; é ter coragem para encarar o incerto e a imperfeição. Somos ensinados a esconder nossas vulnerabilidades e vulnerabilidade é uma forma de nos conectarmos profundamente. É saber que nem sempre temos a certeza, é valorizar o “não sei” da mesma forma que valorizamos o “sim” e o “não”.

A intenção é buscar uma mensagem através das nossas escolhas, é a busca por comunicar através de uma tipografia, de uma cor, de uma composição. É fazer com que nosso trabalho tenha um propósito, um significado.

D.d.P: Concordo com os três que o Dude trouxe e acrescentaria mais um: aprendizado. Todo o processo nos traz aprendizados e eles acabam sendo ferramentas incríveis para o próximo projeto.

Como vocês diriam que a forma como as pessoas se organizam profissionalmente afeta o processo criativo e o resultado final do projeto?

E.T: Acredito que a organização é fundamental para dar mais espaço para que o processo criativo aconteça. É tirar as arestas, a burocracia e fortalecer o diálogo e as intenções. É dar espaço para o humano no processo. No meu ver todos nós nascemos criativos, todos nós temos a criatividade em nós, mas à medida que vamos sendo inseridos em uma maneira social ditada pela lógica da produção em escala vamos sendo moldados a algo que deve se encaixar em um modelo, em um formato. Ou seja, analogamente, é como a sociedade se organizou “profissionalmente”, não dando espaço para que o lado humano/criativo se manifeste.

D.d.P: Acho que a questão mais importante de se ter resolvida antes de começar um projeto é um entendimento entre todos do problema que queremos resolver e onde queremos chegar. A partir daí tudo acontece de forma mais orgânica, seja a escolha de parceiros, caminhos criativos, etc. Tudo se desenrola de maneira mais fácil quando se entende o que precisa ser feito.

Por que é importante para você dar esse curso?

E.T: Talvez esse seja o ponto principal dos encontros. Não acredito na ideia do gênio; do rockstar criativo. Acho que quando nos colocamos nesse lugar, quase como heróis, nós deixamos as vulnerabilidades de lado, como se elas não existissem e com isso reforçamos o lugar da angústia, do não pertencimento, do incapaz no outro. Nós acabamos por anestesiar nossas vulnerabilidades e, fazendo isso, acabamos por anestesiar outros sentimentos como a alegria, o lado divertido do fazer, a felicidade, o aprendizado. Ou seja, um mundo muito ruim para todos nós.

Lidamos com essas inseguranças, incertezas e angústias em todos os projetos, mas optamos por abraçar e expor essas vulnerabilidades como uma forma de nos conectar, não só com o projeto, mas com as pessoas que estão construindo esse projeto junto com a gente, seja com um cliente ou um colega. E o resultado da conexão é, de certa forma, um sentimento de pertencimento, fazendo com que todos se sintam responsáveis pelo trabalho; e isso, ao meu ver, muda tudo.

D.d.P: A insegurança passa por todos os lugares: dúvidas sobre o próprio talento, rapidez para achar as soluções, sobre não acertar, tentar adivinhar a expectativa do outro em relação à gente e buscar isso. Tentar fazer o que o seu amigo (que você acredita ser o mais talentoso) faria. E acho que aí entramos naquele loop infinito de tentativa e erro, pq simplesmente me desconectei completamente de mim e do que eu acredito. E pra mim, pessoalmente, esse foi o maior aprendizado, em muitos processos: não tentar criar a partir do que eu acho que o outro quer, ou a partir de como o outro faria e confiar na minha intuição, no meu jeito de fazer. Compreensão das características individuais e entre cada um e transformar as diferenças em complementaridades.

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