ESPAÇO
.CC
/CARTOGRAFIAS
TEXTOS







TEXTOS DA 1º EDIÇÃO DE “CARTOGRAFIAS DO FEMININO - UMA OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA”

    A essencialização da categoria “mulher” determinou não apenas as estruturas sociais de poder, mas acabou por sentenciar um estilo determinado de “escrita feminina”. A feminilidade, longe de ser uma experiência intrínseca às mulheres, tornou-se historicamente uma imposição social do patriarcado. Com o objetivo descolonizar a visão universalista de linguagem/escrita/produção tipicamente “feminina”, a oficina “Cartografias do Feminino” teve como objetivo recriar sentidos possíveis para o dilema ser/torna-se mulher explorando espaços historicamente negados às mulheres, como a literatura. Para este desafio, contamos com a pluralidade de experiências de quatro escritoras, cujas produções literárias desmontaram e recriaram identidades, subverteram o padrão da dita “feminilidade”. Refiro-me a Amara Moira, Cristina Judar, Lubi Prates e Carla Kinzo.

    A multiplicidade de vozes não esteve representada apenas na curadoria do corpo docente, mas amplificada entre os textos que apresentaremos a seguir, o que revela como as experiências das mulheres são tão diferentes e plurais. No total, tivemos a participação de 11 escritoras, das mais distintas regiões do Brasil, que se entregaram durante 2 meses, semanalmente na escrita, na leitura e nos comentários umas dos textos das outras. Durante esse período, cartografam dentro de si os signos e os sintomas do que é ser identificada e se identificar como uma mulher. Nós, do Espaço.CC acreditamos em um programa educativo que preze pela troca afetiva, estimulando o impulso criativo, que é sempre catalisado quando as pessoas se entregam para uma proposta que acreditam em conjunto. Os textos contaram com a revisão precisa da Lubi Prates, bem como, a organização dos textos publicados abaixo. Portanto, fica o nosso duplo agradecimento para ela aqui.

    Por fim, acreditamos que publicar é não apenas ocupar espaço, mas é estar na disputa para que as nossas e novas vozes de mulheres e de escritoras tragam para si o papel fundamental de se autonomear.